sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Isto há coisas!?... a Língua Portuguesa como nunca a viram!!!

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

*** Redacção feita por uma aluna de Letras (Fernanda Braga da Cruz ) que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa ***

"Que a coisa esteja convosco!"

Ticha e Sailor-Sun

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Coisas de Natal



Desculpem lá, tá atrasado mas a intenção é que conta...Aqui no Mistério desejamos a todos umas festas felizes e que o novo ano vos traga muitas, muitas, muitas coisas!!!
Feliz Natal e um óptimo ano de 2008!!!!!


"Que a coisa esteja convosco!"

Ticha e Sailor-Sun

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sábado, outubro 06, 2007

Que coisa?

Misteriosamente procuro uma coisa que não encontro.
Uma coisa perdida que jamais será reencontrada.
Pode ser um sentimento, um pensamento ou uma lição.
Não sei, não me lembro...
Era qualquer coisa...
Importante ou talvez não,
só sei que a procuro sem qualquer razão.
Vou continuar a olhar pelos cantos escuros,
que escondem a coisa que procuro devido a alguma visão.
Mas que coisa me deu para seguir este devaneio?
Este capriço de vasculhar por uma coisa que não sei o que é,
mas que parece que preciso devido a um desejo impreciso.
Mais uma voz fala comigo.
"Procura a coisa que necessitas."
"Procura na tua alma esquecida."
Nada vejo.
Nada encontro.
Tudo negro.
Tudo oco.
Sem ponta de coisa lá dentro.
Sorrio...
Esqueço e penso noutra coisa.
Uma coisa que sei que vou encontrar.
O luar que ilumina a rua lá fora.


by Lipinha


sábado, setembro 15, 2007

Um Mistério no Verão...

Era uma vez um PC que vivia despreocupado e feliz em casa de sua dona…
A vida deste pequeno PC era bastante calma, sem muito trabalho para fazer, sem grandes incómodos… para além de uns quantos insectos a chateá-lo, de uns quantos insultos sem importância por parte da dona (“ seu bicho estúpido, lento… não prestas para nada!!!”) e algumas ameaças de violência física, raramente concretizadas (e com muito jeitinho!!!).
Assim passava os dias, uns documentos, algumas apresentações, muitas horas a navegar na net… até que num dia fatídico, este pobre PC apanhou uma doença muito grave e misteriosa e entrou súbita e inesperadamente em coma! Deixou, obviamente, a sua dona desesperada com o destino do seu ‘bichinho de estimação’, tendo sido imediatamente levado a um ‘veterinário’ especializado, para excluir os suspeitos do costume: vírus, choques eléctricos, queimaduras, entre outros!
E não é que chegado lá, o ‘bicho’ estava óptimo, funcionava perfeitamente, sem qualquer problema!!! Mistério… de qualquer maneira, só para ter a certeza, lá se decidiu examinar cabos, monitor, etc, etc, etc… Resultado: tudo ok, nada de errado com o ‘bichinho’.
Intrigada mas contente, a dona levou o PC para casa e procedeu às ligações necessárias para ligá-lo e o resultado foi… coma, novamente!!! Extremamente chateada, a sua dona disse alguns palavrões e chegou mesmo a dar uns quantos pontapés ao ‘bicho’, tudo no supremo interesse do seu restabelecimento, mas nada funcionou, o PC continuou no mesmo estado (e a dona com umas dorezitas num pé, não devia estar só de meias!!!).
Em conversa com uma amiga, a dona tomou conhecimento que outros ‘bichinhos’ tinham já passado pela mesma enfermidade, tendo o tratamento consistido em pequenas voltas de carro, provavelmente na esperança que uns abanões os despertassem daquele sono profundo…
Já desesperada, a dona decidiu que valia a pena tentar e o pequeno PC foi levado várias vezes a passear, sem no entanto registar quaisquer melhoras…
Completamente furiosa e, já depois de equacionar atirá-lo pela janela, a dona desmoralizada, desistiu e deixou-o para ali, tentando ignorá-lo e à sua sorte (só porque tem outro :D)…
Agora que as férias estão quase a acabar, a dona decidiu dar-lhe outra oportunidade… para a semana o ‘bichinho’ vai ao consultório outra vez.

Desejem-lhe sorte, ele vai precisar!



"Que a coisa esteja convosco!"

Ticha e Sailor-Sun

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sábado, setembro 08, 2007

Things/Coisas - Arte

Várias utilizações e/ou interpretações da paravra coisa/thing:

  • Things i cannot photograph
  • As coisas dela e as dele
Isto é para provar que a coisa é a musa da arte :P, prontos admito que posso tar a exagerar, mas só um bocadinho :D.

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quarta-feira, agosto 22, 2007

Ornatos Violeta - Coisas

Leva qualquer eu a meu dia
Dá-me paz eu só quero estar bem
Foi só mais um quarto uma cama
No meu sonho era tudo o que eu queria

Quando alguém deixar de viver aqui
Espera que ao voltar seja para ti
Nada vai ser fácil
Nunca foi
Quando alguém deixar de te dar amor
Pensa que há quem viva do teu calor
Hoje é só um dia
E vai voltar amanhã
E não foi assim que o tempo nos fez
E fez assim com todos nós
E não foi assim que a razão nos amou
E fez assim com todos nós
São coisas
São só coisas

Se uma voz nos diz que é viver em vão
Pra que raio fiz eu esta canção
E se o fim é certo
Eu quero estar cá amanhã
E não foi assim que o tempo nos fez
E fez assim com todos nós
E não foi assim que a razão nos amou
E fez assim com todos nós
São coisas
São só coisas

Eu estou bem
Quase tão bem
Vê como é bom voltar a dizer
Eu estou bem
Quase tão bem
Vê como é bom voltar a dizer
Eu estou bem
Quase tão bem
Vê como é bom voltar a dizer
Eu estou quase a viver

Express Yourself LIVE


Aqui podem ouvir a música é logo a primeira.
kiss kiss
Lipinha

segunda-feira, julho 30, 2007

Coisas que não nos ultrapassam só a nós

"Contra... disparates escritos nas caixas de cereais!
Anda uma rapariga muito descansada a preparar o seu lanche... fazer uma pausa no labor e no estudo... aproveitar o tempo do lanche para escrever qualquer coisinha para os leitores, quando se depara com uma barbaridade escrita numa caixa de cereais, cuja marca não revelo por duas razões (1. acompanhou-me durante a infância e tenho-lhe um certo respeito; 2. vocês chegam lá sozinhos)...
Olho para a caixa e dentro de uma alegre caixa de texto amarela - para se ver bem - encontro a frase que me deixou com vontade de protestar de modo acérrimo (ia escrever sobre o aquecimento global, mas isto é muito, mas muito mais pertinente!)... Sim, a frase... "O pequeno-almoço significa o fim do jejum"... Pronto, isto lembrou-me aquela pérola proferida por uma certa socialite entre sorrisos (é melhor não classificar o sorriso... marca + tia de cascais= grande processo em tribunal) "Estar vivo é o contrário de estar morto". Sim... porque qualquer criança de 4 anos consegue perceber que quando comem de manhã finalizam um certo numero de horas sem comer... A minha única explicação é que a dita de marca de cereais colocou lá a frase para as crianças com menos de 3 anos, conhecidas carainhosamente na cultura americana por infants, toddlers e twos... Sim, mas mesmo essa não faz muito sentido... normalmente as crianças nesse periodo não sabem ler...
Quando leio este tipo de coisas, sinto a minha inteligência insultada... Sinto-me como se tivesse um QI inferior a 85 (ou seja muito baixinho)... Vivemos numa sociedade de informação, ai sim, que lindo! Quando é que vamos viver numa sociedade de informação pertinente?... Da próxima vez como torradas... aliás, acho que vou fazer isso agora e talvez encontre uma frase idiota no pacote do pão de forma...
E por falar em alimentos que falam comigo (pronto, estamos ao nivel do psicopatologico, definitivamente) hoje dois iogurtes falaram comigo... ou melhor, as tampas deles falaram comigo... Um disse "beijinhos fresquinhos", os quais aceitei de bom grado, porque com este calor, tudo o que é fresco é bem-vindo... O outro disse "Para o meu amor crescer"... Com este fiquei sensibilizada, por descobri que:
1. Tenho um iogurte que me ama
2. Preocupa-se com o meu crescimento
Enfim, depois de tal demonstração de afecto não os devia ter comido, pois não? :( De qualquer forma o segundo não teria grande sorte - não leu o post dos nomes fofos... :p)
Um apelo final... Senhores dos cereais... mudem aquela frase, a bem do meu humor... ou as vendas vão cair (sim, porque é humanamente impossivel não ler... )..."
in Visão Contrária (17/7/2007)



É que há coisas... mentes brilhantes pensam de forma semelhante ;D

"Que a coisa esteja convosco!"

Ticha e Sailor-Sun